pupila | A Pupila do Barão https://pupiladobarao.com.br do CACD à diplomacia Fri, 27 Mar 2026 14:27:39 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://pupiladobarao.com.br/wp-content/uploads/2019/12/cropped-pupi_Prancheta-1-cópia-32x32.png pupila | A Pupila do Barão https://pupiladobarao.com.br 32 32 Quem ganha mais, juiz ou diplomata? https://pupiladobarao.com.br/2025/12/04/quem-ganha-mais-juiz-ou-diplomata/ https://pupiladobarao.com.br/2025/12/04/quem-ganha-mais-juiz-ou-diplomata/#respond Thu, 04 Dec 2025 08:38:00 +0000 https://pupiladobarao.com.br/?p=11091 Um tem a função de julgar; outro, a de representar o Brasil no exterior. Descubra no artigo quem tem a remuneração mais atraente.

Como ser juiz no Brasil?

A profissão de juiz de carreira é uma das mais cobiçadas do país. Para se tornar juiz, o aspirante precisa se graduar em Direito, ter três anos de atividade jurídica comprovada e competir em concurso público de provas e títulos por uma vaga de juiz substituto em algum órgão específico do Poder Judiciário estadual ou federal. Em sendo aprovada, a pessoa passará por estágio probatório e, se cumprir todos os requisitos daquela fase, poderá, exercer o ofício de juiz.

Quanto ganha um juiz?

Os valores são semelhantes, mas diferem entre o Judiciário federal e estadual e de acordo com a posição do juiz na hierarquia. Tomando como referência o Concurso para Magistratura do Tribunal Regional Federal da 2a Região (TRF2)em 2025, o vencimento de juiz federal substituto (cargo inicial da carreira) era de R$ 37.765,55.

Como ser diplomata no Brasil?

Para ser diplomata de carreira, no Brasil, a pessoa deve se graduar em qualquer área do conhecimento (não precisa só ser em Direito ou em Relações Internacionais, como muitos pensam) e, depois, ser aprovada dentro do número de vagas no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata, conhecido como CACD. Após a aprovação no CACD, a pessoa passará pelo Curso de Formação de Diplomatas, no Instituto Rio Branco e, se obtiver êxito, será, oficialmente, diplomata de carreira.

Qual é o salário inicial de um diplomata de carreira no Itamaraty?

Diferentemente do que acontece no Judiciário, onde a remuneração de juízes federais e estaduais pode variar simplesmente por causa da esfera da federação, no caso do diplomata, isso não acontece, pois não existem diplomatas estaduais e diplomatas federais.

Tomando como referência a última edição do CACD, a remuneração inicial bruta no cargo de terceiro-secretário, que corresponde ao primeiro nível da carreira de diplomata, era de R$ R$ 22.558,56.

Qual é o salário mais alto de um diplomata?

Outro aspecto diferente entre a remuneração de juízes e a de diplomatas é a variação percentual significativa na na comparação da remuneração entre magistrados em início e em final de carreira e de diplomatas no primeiro e no último nível hierárquico.

Na diplomacia, os percentuais que diferenciam uma classe para a outra dentro da carreira são bastante tímidos, e a composição salarial em comparação com outros cargos da União está extremamente defasada, como ilustra este documento feito pelo Sinditamaraty, que busca uma correção percentual para a recomposição da remuneração de diplomatas.

O salário mais alto de um diplomata em fim de carreira hoje, dependerá de variáveis como posto, qualidade de vida no posto e acréscimos legais a que faça jus como servidor público, de acordo com a lei 8.112/1990, o que deve ser avaliado caso a caso.

No portal da transparência do governo federal é possível saber quanto ganha cada diplomata no Brasil.

Conclusão: quem ganha mais, juiz ou diplomata?

Pergunta retórica, não? O juiz é melhor remunerado no exercício da profissão do que o diplomata, infelizmente, já que o grau de responsabilidade de um diplomata é tão ou mais exigente do que o do magistrado.

Se você está pensando em se tornar diplomata por causa da remuneração, saiba que este, talvez, não seja o melhor parâmetro avaliativo para a tomada dessa decisão tão importante.

Geralmente, quem escolhe a profissão de diplomata o faz pela afinidade com os temas tratados na diplomacia e pela beleza do ofício em si, não pelo salário, já que existem concursos públicos que remuneram muito melhor os seus servidores — e sem exigir tanta responsabilidade no exercício da função.

(*)

Foto: Ekaterina Bolovtsova no Pexels

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Quantas línguas preciso saber para ser diplomata? https://pupiladobarao.com.br/2025/11/27/quantas-linguas-preciso-saber-para-ser-diplomata/ https://pupiladobarao.com.br/2025/11/27/quantas-linguas-preciso-saber-para-ser-diplomata/#respond Thu, 27 Nov 2025 05:46:00 +0000 https://pupiladobarao.com.br/?p=11082 Algumas das dúvidas mais comuns entre aspirantes a diplomata envolvem o domínio de línguas estrangeiras no cotidiano da profissão. Dentre elas, pode-se listar cinco perguntas clássicas e muito pertinentes:

— Preciso ser fluente nos idiomas estrangeiros do CACD?

— Como estudar os idiomas do CACD do zero?

— É possível passar no CACD sem dominar os idiomas estrangeiros?

— Quanto tempo leva para eu aprender os idiomas do CACD?

— Quantas línguas preciso saber para ser diplomata?

Hoje, responderemos apenas à última dessas questões que assolam CACDistas iniciantes. Continue lendo.

A diplomacia brasileira é reconhecidamente uma das mais capacitadas do mundo, porque o IRBr tem a tradição secular de formar diplomatas altamente competentes para se comunicar, em diferentes contextos de atuação, nos idiomas da ONU, a saber: inglês, mandarim, espanhol, francês, árabe e russo.

Os diplomatas brasileiros aprendem, pelo menos, quatro desses seis idiomas estrangeiros: três, por exigência do CACD; e um por exigência do Curso de Formação de Diplomatas (CFD) no Instituto Rio Branco (IRBr). Mas, afinal,

quantas línguas preciso saber para ser diplomata?

Para ser diplomata, você precisará, antes, passar no CACD e, para isso, deverá dominar as seguintes línguas:

Em primeiro lugar, domine a língua de Machado de Assis, Euclides da Cunha, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos Clarice Lispector e Cecília Meireles

Todo diplomata deve ser (mais do que) proficiente em sua língua pátria: o português. Os candidatos aprovados no concurso da diplomacia apresentam a habilidade de escrever textos longos em português praticamente indefectível, isto é, sem erros gramaticais e seguindo uma linha impecável de raciocínio lógico. Além disso, devem ser capazes de fazer excelentes resumos e de interpretar textos complexos com precisão.

Em segundo lugar, domine a língua d’O Bardo

O inglês é o segundo idioma mais importante do CACD e o mais usado pelo diplomata brasileiro no exterior. No dia a dia do diplomata brasileiro, o inglês é até mais importante do que o português, porque serve como língua franca, isto é, como a língua do mundo dos negócios, aquela que as pessoas falam em muitos outros lugares do planeta.

Assim, por exemplo, suponha que um diplomata brasileiro vá servir na Turquia, mas não domine o idioma turco. Se ele falar inglês, poderá se comunicar perfeitamente com os diplomatas e autoridades locais no idioma.

Em terceiro lugar, domine a língua de Cervantes

O terceiro idioma que, desejavelmente, o diplomata deverá dominar é o espanhol. Isso porque, com o estreitamento dos laços entre os países da América Latina por meio do Mercosul, o idioma ganha relevância ainda maior para a atuação do diplomata brasileiro. Além disso, quando for servir em algum posto no exterior em que a língua espanhola seja o idioma local, o diplomata do Brasil se beneficiará do domínio pleno do idioma.

Em quarto lugar, domine a língua de Victor Hugo

Por fim, o diplomata brasileiro também se beneficia do conhecimento da língua francesa, já que esta é considerada, por excelência, a língua da diplomacia. No CACD, até o ano de 2023, cobrava-se francês junto com espanhol, cada qual valendo 50 pontos. As notas em francês costumavam sempre ser mais baixas, dada a complexidade estrutural que a língua apresenta. De 2024 para cá, o candidato a diplomata passou a poder optar entre o espanhol e o francês.

Considerações relevantes sobre o domínio dos idiomas para quem vai fazer o CACD

  • O nível de exigência das provas de idiomas é elevado, equivalente ao C2 (avançado ou proficiente).
  • As provas de línguas do CACD (incluindo a de língua portuguesa) são defensivas, isto é, você deve evitar cometer erros de gramática e de “propriedade da linguagem” para não perder pontos. São provas em que você começa com a pontuação cheia e vai sendo descontado conforme comete erros. Vale a pena prestar muita atenção nisso.
  • As atuais provas de idiomas do CACD não avaliam a oralidade do candidato, isto é, você não passará por uma entrevista oral com a banca avaliadora. Por isso, não importa o quanto seja fluente em qualquer uma das línguas estrangeiras avaliadas no concurso, não ganhará pontos pelo domínio oral, mas pelo domínio escrito do idioma, de acordo com a norma padrão de cada uma dessas línguas. Leve isso em consideração na hora de estudar para colocar o foco na produção textual em língua estrangeira e na interpretação de textos. Contudo, a oralidade não pode ser completamente suprimida da sua preparação para o CACD, pois ela ainda é essencial, por exemplo, para o aprendizado adequado da língua francesa.
  • Os idiomas entram no seu planejamento de estudos desde o primeiro dia e não saem nem depois que você passar no CACD, já que, até no IRBr você terá que continuar estudando todos eles, só que, agora, com ênfase na oralidade que o CACD não cobrou de você diretamente.

Conclusão

Obrigatoriamente, para passar no CACD, você deverá dominar português, inglês, espanhol e francês. Veja que a palavra “dominar” está destacada, pois, de fato, o nível de exigência do concurso é o da proficiência (nível C1-C2). Depois de aprovado, já no Instituto Rio Branco, terá de escolher um outro idioma estrangeiro para estudar, que poderá ser o russo, o árabe ou o mandarim. Porém, no dia a dia da profissão, as línguas que você mais utilizará serão o português e o inglês, a menos que você esteja em postos em que o espanhol e o francês são línguas locais obrigatórias.

(*)

Foto: Harrison Moore no Unsplash

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O que CACD tem a ver com diplomatas e diplomacia? https://pupiladobarao.com.br/2025/11/22/o-que-cacd-tem-a-ver-com-diplomatas-e-diplomacia/ https://pupiladobarao.com.br/2025/11/22/o-que-cacd-tem-a-ver-com-diplomatas-e-diplomacia/#respond Sat, 22 Nov 2025 15:35:55 +0000 https://pupiladobarao.com.br/?p=11077 Entenda, nesse artigo, por que é impossível se tornar diplomata sem falar de CACD e de diplomacia.

A carreira diplomática ainda é pouco conhecida

Quando eu era criança, nunca ouvi alguém dizer a palavra “diplomata”. Ela não fazia, então, parte do meu vocabulário. Na adolescência, tampouco ouvi alguém falar de “diplomacia”. Outra palavra que, portanto, não fazia parte do meu repertório linguístico. Na graduação? Eu, estudante de Letras Português-Inglês? Quem me contaria que a diplomacia era uma possibilidade profissional para mim, e que, se quisesse, eu poderia me tornar diplomata pelo simples fato de dominar dois dos idiomas que eram cobrados no concurso de ingresso na carreira?

Aliás, naquela época, eu sequer conhecia o percurso — ou o concurso — que alguém precisaria seguir para ser diplomata. Aliás, qual era mesmo o nome do concurso? É… Não culpo ninguém. Nem poderia.

Afinal, quem de nós, simples mortais, já tinha ouvido falar abertamente sobre diplomata, diplomacia e CACD?

Esse modismo é recente e se deve, em grande parte, à diplomacia pública, que surgiu e se fortaleceu com o advento das redes sociais.

Voltando a 2010, ano em que descobri o CACD

Sobre o CACD, aliás, só fiquei sabendo em 2010, depois de começar a namorar o meu marido. Ele me contou que, quando adolescente, teve curiosidade pela diplomacia e até pensou em ser diplomata. Mas, depois, ele esqueceu tudo, e foi estudar Desenho Industrial na UFRJ. Quando eu perguntei se a vontade de ser diplomata tinha passado, ele respondeu que poderia voltar a pensar no assunto.

A partir da resposta, juntei numa pasta todas as provas anteriores, para o caso de ele querer começar a estudar para o concurso. A pasta ficaria esquecida até 2018, no drive do computador, e só seria resgatada, por mim mesma, em 2019, quando comecei a preparação e o blog.

Mal saberia eu, que estaria aqui, hoje, conversando com você, sobre os temas mais instigante de todos: CACD, diplomata e diplomacia!

Mundo mundo pequeno mundo, eu diria, na contramão da poesia do Drummond, talvez? (Se bem que, a lógica central do poema, a do eu poético que se sente desenquadrado e que está buscando o seu lugar no mundo vasto mundo, se mantém intacta).

Digressões à parte, vamos destrinchar agora essa “sopa de letrinhas”, de forma bem simples e didática, para você, que está chegando, hoje, à blogosfera da comunidade cacdista mais bonita do Brasil.

Qual é a relação entre diplomacia, diplomata, e CACD?

Diplomata — quem exerce o ofício da diplomacia.

Diplomacia — do francês, diplomatie, é a atividade que envolve as relações internacionais entre Estados. É também a profissão de diplomata e o corpo diplomático em si.

CACD — Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata. Sem ele, não é possível ser diplomata de carreira.

Conclusão

A relação entre diplomacia, diplomata e CACD é o que propicia e o que configura a própria Política Externa do Brasil, já que a diplomacia de carreira não existe sem diplomatas e já que a existência de diplomatas de carreira, hoje, depende do CACD.

Espero que este artigo tenha ajudado você a começar a compreender, de forma simples, por que é impossível se tornar diplomata sem falar de CACD e de diplomacia.

O Itamaraty é logo ali. Bons estudos e sucesso!

(*)

Foto: Charlie BUN4bmGI no Unsplash

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Fala, cacdista! (I) https://pupiladobarao.com.br/2025/11/13/fala-cacdista-i/ https://pupiladobarao.com.br/2025/11/13/fala-cacdista-i/#respond Thu, 13 Nov 2025 13:39:43 +0000 https://pupiladobarao.com.br/?p=11066 Está inaugurado o quadro de respostas a perguntas de cacdistas feitas no perfil @pupiladobarao no Instagram. A pergunta de hoje é a seguinte:

"Te sigo há alguns anos. Para você, o que mudou na sua preparação no decorrer do tempo? E qual é a sua percepção sobre execução (ordem) das provas e desempenho de antes para hoje?" (C., cacdista)

Vou fracionar a pergunta para facilitar a compreensão. Continue lendo as respostas a perguntas de cacdistas do quadro "Fala, cacdista", OK? Vamos lá.

O que mudou na minha preparação para o CACD até aqui?

Muito mudou, mas escolhi listar três aspectos:

1) o planejamento de estudos;

2) as técnicas de estudos; e

3) a visão a respeito de como estudar para o CACD.

Vamos ao primeiro tópico.

Mudança no planejamento de estudos para o CACD

Quanto ao planejamento de estudos, ele foi (e é) revisitado várias vezes, para se adaptar às demandas reais da minha vida: trabalho, maternidade, gestão doméstica, necessidades pessoais, entre outras muitas variáveis. Costumo frisar que o planejamento de estudos eficiente é aquele sustentável no longo prazo. Não pode ser “engessado”, pró-forma.

Se um planejamento de estudos para o CACD for como a Lei Feijó, que foi feita só “para inglês ver”, ele não serve de nada.

O meu plano passou de uma tabela linda, indefectível e colorida de Excel a uma “entidade” ainda linda, indefectível e colorida, mas agora viva, cíclica e orgânica, que existe para comportar, de forma funcional e exequível, as minhas necessidades (em primeiro lugar), o volume de matérias e as tarefas correlatas. Não é sustentável estudar à exaustão! Tudo isso nos leva ao próximo ponto. Continue lendo.

Mudança na maneira de estudar para o CACD

Quanto à maneira de estudar para o CACD, ela evoluiu, assim como eu evoluí. Hoje, estou totalmente concentrada em revisar o que já estudei, antes de consumir conteúdo novo. Tenho me dedicado a revisar cadernos e anotações e a lançar cartões no Anki, embora eu prefira os mapas mentais. E foi justamente a necessidade de variar as técnicas de estudo — e mesmo de escolher uma técnica que não necessariamente é a minha predileta, mas que produz melhores resultados práticos para mim — que me levou a um novo patamar de compreensão sobre o que me faz avançar nos estudos para o CACD. E aqui chegamos ao próximo tópico da lista.

Mudança de visão sobre como estudar para o CACD

É comum pensar que só se aprende de um jeito, mas, francamente, isso é uma falácia. Imagine uma pessoa que se enquadrasse no estilo de aprendizagem visual e que, em decorrência de uma fatalidade, perdesse inteiramente a visão. Ou um aprendiz auditivo, que, de uma hora para outra, perdesse completamente a audição.

Será que essas pessoas nunca mais conseguiriam estudar nem aprender, se não fosse do jeito ao qual elas sempre estiveram acostumadas?

Essa troca de “ferramentas”, do mapa mental e das anotações extensivas e super analíticas para os flashcards, é o que eu considero a mudança de visão a respeito de como estudar para o CACD.

A segunda parte da pergunta foi:

Qual é a melhor ordem de resolução das provas para fins de desempenho?

Não acho que exista uma ordem “universal” para resolver as provas do CACD. Algumas pessoas vão preferir responder primeiro o que consideram mais difícil. Outras, o que julgam mais fácil. Outras, as disciplinas que, somadas, podem garantir a maior porcentagem de acertos na prova e, consequentemente, a convocação para as discursivas.

Outras pessoas, como eu, preferirão responder, primeiro, as provas de língua portuguesa e de língua inglesa, que são as mais extensas e que consomem mais tempo de leitura e de análise do que todas as outras disciplinas juntas.

Mas, tudo depende de você: é preciso se testar antes, durante e depois das provas, para compreender a estratégia que realmente funciona para você. Essa é uma descoberta pessoal, que só completa no processo de tentativa–erro.

Bons estudos e sucesso na sua caminhada até o Itamaraty!

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Quem está acima do diplomata? https://pupiladobarao.com.br/2025/11/06/quem-esta-acima-do-diplomata/ https://pupiladobarao.com.br/2025/11/06/quem-esta-acima-do-diplomata/#respond Thu, 06 Nov 2025 12:36:33 +0000 https://pupiladobarao.com.br/?p=11057 Pouca gente sabe que a diplomacia é uma carreira de Estado e, portanto, altamente hierarquizada. Veja, a seguir, onde está o diplomata na pirâmide hierárquica.

O que você precisa saber antes de ser diplomata

Se você tem interesse em ser diplomata, é prudente e saudável que se informe previamente sobre o que é a diplomacia, o que faz o diplomata e, especialmente, sobre o que o diplomata não está autorizado a fazer no exercício da profissão.

Isso diminui as chances de se frustar com a profissão e de desistir da carreira no futuro. Afinal, seria devastador investir anos da sua vida e juventude se preparando para o concurso de diplomata para se desencantar com a realidade do ofício! Ninguém quer que você passe por essa situação.

Então, essa análise cuidadosa deve ser feita antes mesmo de você começar a preparação para o exame que permite o ingresso na carreira, que é o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD).

Na hierarquia, estão acima do diplomata:

  • o Estado brasileiro;
  • a administração pública federal brasileira;
  • o Presidente da República e os outros poderes subsidiariamente, a saber Legislativo, Judiciário e Ministério Público, no que se aplique;
  • o arcabouço jurídico doméstico, isto é, todas as leis brasileiras que se apliquem ao serviço público federal, somadas às leis internacionais (tratados e acordos) de que o Brasil seja parte, somadas às leis locais do posto em que se seja diplomata, quando no exterior;
  • outro diplomata com mais tempo de carreira (o chefe imediato).

Quem é o chefe dos embaixadores?

O Ministro das Relações Exteriores e, na sua ausência, o Secretário-Geral das Relações Exteriores.

Quem manda no Itamaraty?

O Estado brasileiro, o Presidente da República, o Chanceler e o ordenamento jurídico aplicado à diplomacia como serviço público dentro e fora do Brasil. Evidentemente, o Itamaraty tem autonomia conferida pela própria lei para gerenciar assuntos de interesse interno do Ministério, sem interferência de outros órgãos. Por exemplo, ele cria seu próprio regulamento interno, gere diretamente o pessoal do Serviço Exterior brasileiro aqui e no exterior e define regras de estruturação da carreira, bem como o ingresso de novos membros via CACD, entre outros aspectos.

Qual é a diferença entre chanceler e diplomata?

O Chanceler ou Ministro das Relações Exteriores, é, na maioria das vezes (mas nem sempre), um diplomata. Mas o diplomata pode passar toda uma vida trabalhando sem nunca se tornar Chanceler.

Preferencialmente, o chanceler deve ser um diplomata do nível hierárquico mais alto da carreira diplomática, isto é, um Ministro de Primeira Classe. Quando isso ocorre, dizemos que o chanceler é um “diplomata de carreira”. Mas, há situações em que o poder Executivo pode, com a chancela do Legislativo, nomear como Ministro das Relações Exteriores pessoas de fora da carreira, isto é, que não foram aprovadas no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata e que não possuem treinamento algum em diplomacia.

Essa era uma prática muito comum, no Brasil, durante o Império, quando a área que cuidava das relações internacionais do país era denominada Secretaria de Estados dos Negócios Estrangeiros, que, posteriormente, com a proclamação da república, tornar-se-ia o Ministério de Estado das Relações Exteriores.

Contemporaneamente, foram chanceleres externos à carreira diplomática, figuras ilustres como José Francisco Rezek, autor do livro Direito Internacional Público, uma das bibliografias indicadas para o CACD; Fernando Henrique Cardoso (FHC); e José Serra.

Quem são os chefes de missão diplomática?

Geralmente, ministros e ministras, isto é, diplomatas nas classes mais altas da carreira (que são a primeira e a segunda classes) nomeados pelo Presidente da República e aprovados previamente pelo Senado Federal.

Excepcionalmente, brasileiros natos de fora da carreira diplomática podem ser designados para assumir a função de chefe de missão diplomática permanente. Para detalhes, sugiro conferir a Lei n. 11.440/2006, Arts. 37-41.

Conclusão

Deu para perceber que o diplomata, como servidor público do executivo federal brasileiro e representante do país no exterior, é um “dente" bem pequeno de uma engrenagem bem maior? Espero que sim, até porque você, que sonha ser diplomata futuramente, precisa saber muito bem onde se encaixará nessa pirâmide de poder.

Vem comigo até o Itamaraty? Bons estudos e sucesso na caminhada!

(*)

Foto: Jukan Tateisi on Unsplash

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Iniciante no CACD? Saiba como começar a estudar https://pupiladobarao.com.br/2025/10/30/iniciante-no-cacd-saiba-como-comecar-a-estudar/ https://pupiladobarao.com.br/2025/10/30/iniciante-no-cacd-saiba-como-comecar-a-estudar/#comments Thu, 30 Oct 2025 08:41:00 +0000 https://pupiladobarao.com.br/?p=11035 Veja, a seguir, seis passos para começar a estudar para o concurso da diplomacia com método e equilíbrio — e sem se perder pelo caminho.

Introdução: no começo, a falta de informação sobre o CACD

Em 2019, quando comecei a estudar para o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD), havia pouquíssima informação disponível sobre o exame. Não era como hoje, que você pode encontrar diplomatas na rede social e pedir conselhos e orientação direta sobre o concurso.

O máximo que se encontrava era meia dúzia de entrevistas com aprovados, que você só conseguia assistir se se inscrevesse nas semanas abertas de apresentação promovidas pelos dois preparatórios mais tradicionais da época.

Essa falta de transparência quanto às boas práticas da preparação para o CACD foi um dos motivos que me levou a buscar, por conta própria, informações sobre a carreira diplomática e o concurso. Pesquisei fontes oficiais, li muito, montei um dossiê, tirei minhas próprias conclusões e decidi que seguiria por esse caminho. Tudo isso teve um "efeito colateral" muito interessante: o surgimento da marca de conteúdo Pupila do Barão: do CACD à Diplomacia!

Da falta de informação ao ato de informar sobre o CACD e a diplomacia

Munida de tudo o que eu tinha descoberto sozinha, comecei a estudar e, ao mesmo tempo, a produzir o conteúdo temático que você lê aqui no blog, no perfil do Instagram e no canal do Youtube. (A propósito, você já conhece? Não? Então, considere se juntar à comunidade cacdista mais bonita do Brasil!)

Na mesma época, um diplomata aparecia nas redes sociais falando sobre o CACD e a carreira e orientando que aspirantes a diplomata (leia-se "cacdistas") buscassem diplomatas para mentorá-los no concurso até a aprovação, em vez de mentores genéricos que nunca haviam passado no concurso.

Isso, para mim, fez (e faz) muito sentido, pela lógica da especificidade da profissão. Afinal, quem quer ser médico, não vai procurar um padeiro como treinador, certo? Então, nada faz mais sentido para aspirantes a diplomata que procurem outros diplomatas como mentores de percurso. (Quando eu passar no CACD, você poderá voltar aqui no site e contratar meus serviços de mentoria, combinado? Por ora, estou desenvolvendo uma linha de produtos temáticos para cacdistas e um serviço voltado para o CACD. Se tiver interesse em saber dos lançamentos em primeira mão, preencha o formulário de contato para deixar o seu nome na lista de espera.)

Mas, afinal, Pupila, depois desse preâmbulo todo, conte para mim: quais são as orientações para quem está começando hoje a estudar para o CACD?

Certamente! Vamos lá? Descubra, a seguir, cacdista iniciante, como começar a estudar para o CACD com o pé direito.

1. Procure se informar sobre a profissão de diplomata e descubra se a diplomacia é o que você realmente deseja

Essa etapa inicial é a mais relevante de todas. É fundamental você se certificar de que se encaixa no perfil da carreira diplomática, que é uma carreira de Estado, altamente hierarquizada e muito romantizada por muitos cacdistas.

Se você ainda pensa que diplomatas são aristocratas cheios de privilégios, que vivem para viajar e se divertir, saiba que existe um hiato colossal entre a ficção e a realidade. Esse vídeo desfaz a visão equivocada do senso comum a respeito desse profissional que é, na verdade, um servidor público do executivo federal, sujeito a todos os deveres e interesses da administração pública. Você pode saber mais sobre esse assunto assistindo às playlists da Série Diplomacia e Serviço Público e às entrevistas da Série O(A) Diplomata Responde no meu canal do Youtube.

Presumindo que você julgue ter o perfil para a carreira, veja, agora, o próximo passo, que envolve uma tomada de decisão.

2. Decida se vai estudar para o CACD por conta própria ou contratar especialistas

Estudar por conta própria para o concurso da diplomacia é uma possibilidade, mas, definitivamente, ela não se aplica a todo mundo. Se você sempre teve uma tendência de aprendizado autodidata, isto é, se conseguiu aprender um idioma ou dominar um instrumento musical sem o auxílio de um especialista, é provável que você consiga se preparar para o CACD de modo autônomo.

A maioria dos aprovados, a partir de 2003, com o advento do primeiro cursinho voltado exclusivamente para a preparação e, depois, com a proliferação de cursos online para o CACD, parece estar preferindo contratar serviços e professores especializados no certame.

Uma forma de saber se preparar-se para o CACD de forma autodidata vai funcionar (ou não) para você é estudar sozinho por um período de seis meses, no máximo, e, depois, mensurar, por meio de questões de provas anteriores, se você de fato evoluiu. Se perceber que não será viável estudar sem a ajuda de especialistas, prepare-se para o passo seguinte, que é guardar algum dinheiro para contratá-los posteriormente.

3. Considere fazer uma poupança para a preparação antes mesmo de começar a estudar para o CACD

Não vou mentir: o CACD vai doer no seu bolso. Estudar com profissionais excelentes na arte de aprovar diplomatas vai custar entre R$ 1.000 e 3.000, a depender do especialista, do tipo de curso e da disciplina. E esse é o preço por disciplina tomando-se como referência os valores praticados em 2025. Multiplique pelo número de matérias do CACD, pelo número médio de anos que os aprovados demoraram para passar, e faça as contas; custa muito caro se preparar para o CACD.

Por isso, compare os preços praticados pelos principais cursinhos online do mercado do CACD, verifique os preços das aulas dos profissionais mais cotados na preparação e considere capitalizar um pouco antes de começar o seu projeto de aprovação, que, aliás, para ser eficiente no longo prazo, precisa ser exequível e funcional.

4. Monte um plano de estudos funcional

À guisa de sugestão, um plano de estudos bem rudimentar, mas eficiente para iniciantes no CACD, seguiria um passo a passo:

  1. analisar o edital e verticalizá-lo — baixe o edital mais recente do CACD e destrinche os conteúdos programáticos. Categorize os tópicos de cada disciplina respeitando a hierarquia da informação.
  2. definir número de horas diárias de estudo — comece devagar, depois, se julgar viável, aumente a quantidade;
  3. eleger as disciplinas do plano — dentre elas, os idiomas estrangeiros, isto é, inglês, francês e espanhol, e a língua portuguesa, que precisam ser inseridos, desde o início, no planejamento, junto com história mundial e história do Brasil, por exemplo;
  4. estudar em ciclos — de três a seis meses. Durante esse período, o objetivo será estudar (ainda que superficialmente) todos os temas do edital das disciplinas do ciclo.

Em outro artigo, o tema planejamento será desdobrado em detalhes. E como saber se o primeiro ciclo de estudos funcionou? Fazendo uma bateria de questões ao final dele, para avaliar o desempenho.

5. Mensure o desempenho

Uma forma de mensurar o quanto você apre(e)ndeu é fazendo exercícios e questões. Você pode resolver uma pequena bateria de questões ao final de cada tópico de cada disciplina e fazer um simulado geral das matérias do ciclo quando ele terminar. Registre em uma tabela e acompanhe periodicamente os percentuais de erros e acertos a cada vez que resolver novos exercícios e questões.

Outra forma, ainda mais eficiente, é fazer redações sobre cada um dos temas que estudou, somente com o que você lembra dos assuntos.

Mas sabe qual é a maior prova de fogo da vida de cacdista? O momento fatídico? O dia da prova! Vá fazer o próximo CACD para descobrir como se sairá na situação real de prova e você vai entender.

6. Faça o próximo CACD

Fazer a prova todo ano é parte da estratégia dos aprovados no CACD. Não importa se você viu todos os temas do edital, não importa se se sente despreparado para enfrentar o concurso. Não tem a ver com prontidão, mas com disponibilidadeSeja qual for o seu nível no CACD, abrace anualmente a oportunidade e a experiência singular de ir fazer a prova como parte intrínseca do seu planejamento de estudos.

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Espero que o artigo ajude você a dar o pontapé inicial da sua trajetória de sucesso na carreira diplomática. Bons estudos e lembre-se: o Itamaraty é logo ali!

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Crédito da foto: Jess Bailey to Unsplash

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CACD: o que você precisa saber sobre o concurso https://pupiladobarao.com.br/2025/10/23/cacd-o-que-voce-precisa-saber-sobre-o-concurso/ https://pupiladobarao.com.br/2025/10/23/cacd-o-que-voce-precisa-saber-sobre-o-concurso/#respond Thu, 23 Oct 2025 06:55:00 +0000 https://pupiladobarao.com.br/?p=11032 FAQ CACD: o que é, para que serve e como funciona? Veja algumas perguntas e respostas sobre o concurso público que seleciona diplomatas brasileiros

O que é CACD?

CACD é a sigla correspondente a “Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata”.

Para que serve o CACD?

O CACD serve para o Estado selecionar diplomatas que representarão o Brasil no exterior. É como uma entrevista de emprego muito sofisticada e exigente em forma de concurso público.

Qual é o apelido de quem estuda para ser diplomata?

O nome dado a quem estuda para ser diplomata é “CACDista” ou “ceacedista”. Alguns também chamam os CACDistas de “quartos-secretários”, numa alusão ao fato de que o candidato ao CACD está a um degrau de se tornar “terceiro-secretário”, cargo inicial da carreira de diplomata.

Como eu posso ser terceiro-secretário?

Somente por meio da aprovação no CACD e, mais tarde, no Curso de Formação de Diplomatas do Instituto Rio Branco.

Como funciona o CACD?

Trata-se de um concurso que, atualmente, é realizado em duas etapas, uma objetiva e outra discursiva. É possível obter até 800 pontos totais na fase discursiva do CACD.

O que cai no CACD?

No concurso de ingresso na carreira diplomática são cobradas as seguintes disciplinas: política internacional, história do Brasil, história mundial, geografia, economia, direito e direito internacional público, língua portuguesa, língua inglesa, língua espanhola e língua francesa.

O CACD é um concurso de provas e títulos?

Só de provas. Diferentemente de outros concursos, o CACD não exige títulos.

O CACD tem prova ou entrevista oral?

Não, mas já teve em edições passadas, com o poeta e também diplomata Guimarães Rosa como avaliador da banca, entre outros nomes memoráveis! Atualmente, o CACD consiste de um conjunto de provas composto por questões do tipo “certo e errado” e por questões discursivas que avaliam os conhecimentos do candidato nas disciplinas citadas anteriormente.

Quem pode fazer o CACD?

Brasileiros natos, com idade mínima de 18 anos, que estejam em dia com a justiça eleitoral, com o serviço militar (no caso dos rapazes) e com os direitos políticos. Além disso, é preciso ter diploma de graduação em qualquer área validado pelo Ministério da Educação (MEC), como expliquei nesse vídeo.

Ainda estou no Ensino Médio. Como começo a me preparar para o CACD?

Se estiver no Ensino Médio, absorva o máximo de conteúdo das aulas de história, de geografia, de língua portuguesa e de línguas estrangeiras. Mas antes de pensar em se dedicar seriamente a estudar para o CACD, lembre-se de não pular etapas, de aproveitar bem o momento presente e de valorizar a sua formação de agora. Primeiro, conclua o Ensino Médio. Depois, escolha a graduação que combina com os seus anseios mais íntimos e conclua. Na graduação, sim, já dá para você a pensar seriamente em se preparar, mas, ainda assim, sem queimar etapas. Carpe diem, pessoa querida!

Posso fazer o CACD como treineiro? O que acontece se eu passar?

Pode fazer, sem problemas. Porém, caso passe, não poderá tomar posse no cargo de diplomata, por falta da documentação comprobatória de grau de escolaridade que deverá apresentar ao Ministério das Relações Exteriores quando passar.

Estou na graduação. Como posso ir me preparando desde já para o CACD?

Estude com dedicação as quatro línguas do CACD: português, inglês, espanhol e francês, com foco em leitura, redação dissertativo-argumentativa, resumo, tradução e versão no nível mais sofisticado possível.

Fiz minha graduação no exterior. Meu diploma serve para o CACD?

Se você tem um diploma de nível superior estrangeiro, antes de se inscrever no CACD precisará revalidá-lo junto ao MEC.

Qual é a melhor graduação para o CACD?

Para o CACD? A sua! Para a diplomacia? Também! Qualquer graduação vale para quem quer ser diplomata e a diplomacia brasileira preza pela diversidade de pessoas, de mentes e de habilidades na carreira. A diversidade acadêmica dos diplomatas brasileiros, junto à formação oferecida pelo Instituto Rio Branco, torna o corpo diplomático brasileiro um dos mais interessantes e bem-capacitados do mundo. Boas vindas ao multiverso diplomático brasileiro.

Minha graduação é de tecnólogo. Posso ser diplomata?

Desde que você passe no CACD e que o seu diploma de graduação tecnológica seja reconhecido pelo MEC, sim; você pode ser diplomata.

Existe alguém que não possa fazer o CACD? Por quê?

Brasileiros naturalizados e estrangeiros não podem fazer o concurso por questões de segurança nacional, já que a diplomacia trata de assuntos sensíveis ao Estado brasileiro. Sobre esse assunto, vide a Constituição Federal de 1988 e o edital mais recente do CACD.

Já as pessoas analfabetas não podem prestar o concurso por não possuírem diploma de nível superior, que é uma das condições para se tomar posse no cargo.

Quem deve pedir permissão para se inscrever no CACD e como proceder nesse caso?

Nos termos do § 3o do art. 33 e do § 3o do art. 34 da Lei 11.440/2006, o candidato casado com pessoa de nacionalidade estrangeira ou com pessoa empregada de governo estrangeiro ou que dele receba comissão ou pensão será inscrito condicionalmente no concurso, e sua eventual inscrição só será deferida se obtiver a autorização do Ministro de Estado das Relações Exteriores.

Essa exigência aplica-se também ao candidato casado com cônjuge de nacionalidade estrangeira cuja separação judicial ainda não tenha transitado em julgado. Importante ressaltar que não cabe recurso contra a decisão do Ministro das Relações Exteriores.

O edital anual do CACD elenca os casos em que o pedido de permissão é necessário e encaminha os interessados para os canais oficiais de comunicação pertinentes.

Tem CACD todo ano?

A princípio, sim. Essa tem sido a tendência desde 1946, exceto em 2003, quando houve duas edições do concurso no mesmo ano, e em 2020, quando não houve concurso em razão da pandemia de Covid-19.

Quanto custa a inscrição para o CACD e onde eu posso me inscrever?

O valor da inscrição é variável. As inscrições, quando abertas, podem ser feitas no site da organizadora do concurso, que, nas edições mais recentes, foi o Centro Brasileiro de Pesquisas, o Cebraspe.

Existe bolsa para o CACD?

Sim. Pessoas autodeclaradas negras e pardas (PNPs) e pessoas indígenas podem concorrer a bolsas de estudos para custear a preparação para o CACD por meio do Programa de Ação Afirmativa do Instituto Rio Branco, o PAA-IRBR. As condições para participar são dispostas em edital próprio e separado do CACD. Caso você opte por concorrer à bolsa, deve assinalar essa opção no momento da inscrição no concurso da diplomacia no próprio site da organizadora.

É caro estudar para o CACD?

Sim! Caríssimo! A preparação para o concurso da diplomacia já chegou a custar o preço de um carro popular há alguns anos, mas o surgimento de novos preparatórios online eventualmente barateou os preços. No entanto, infelizmente, não há motivos para comemorar, porque os valores continuam elevadíssimos para os padrões orçamentários do brasileiro mediano. Por isso, sugiro fortemente que você não compre pacotes de cursos, mas que escolha poucas disciplinas por vez e termine-as completamente com qualidade. Além disso, em vez de contratar o curso preparatório, prefira contratar os especialistas mais renomados no concurso, porque esses professores não são renomados à toa, não é verdade? Nesse artigo, você poderá se aprofundar no assunto. Se desejar ter aulas de língua portuguesa para o CACD comigo, em um curso beta, entre em contato através do formulário, para colocar seu nome na lista de espera.

Onde encontrar informações confiáveis sobre o CACD e a diplomacia?

Nos conteúdos da Pupila do Barão, produzidos aqui no blog, no meu perfil do Instagram e no meu canal do YouTube e, sobretudo, na página do Itamaraty e na página do Instituto Rio Branco (IRBr).

Bons estudos e sucesso na sua caminhada até a carreira. E lembre-se: para passar no CACD e se tornar diplomata, antes, você tem que vestir e suar a camiseta!

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Movimento Slow CACD: o que é e por que adotá-lo é bom para a sua saúde https://pupiladobarao.com.br/2025/10/18/movimento-slow-cacd-o-que-e-e-por-que-adota-lo-e-bom-para-a-sua-saude/ https://pupiladobarao.com.br/2025/10/18/movimento-slow-cacd-o-que-e-e-por-que-adota-lo-e-bom-para-a-sua-saude/#respond Sat, 18 Oct 2025 20:48:47 +0000 https://pupiladobarao.com.br/?p=11009 O que as tartarugas têm a ver com a preparação para o concurso da diplomacia (CACD) e com a saúde de cacdistas? Continue lendo.

A tartaruga é um dos animais mais longevos e robustos da natureza. Algumas, como a tartaruga-das-galápagos (Chelonoidis nigra), chegam a ultrapassar os 100 anos. Se for uma como o Jonathan, a tartaruga-gigante-das-Seychelles (Aldabrachelys gigantea), talvez alcance os 200 anos.

Dona de uma carapaça praticamente indestrutível e de uma capacidade impressionante de respiração adaptativa, a tartaruga vence longas distâncias, sobretudo no mar, onde a adaptabilidade da respiração lhe permite permanecer submersa por muito tempo, sem subir para buscar oxigênio.

A tartaruga se move a passos e braçadas pequeninos e lentos. Ela não se compara aos animais mais rápidos do ar, da terra ou do mar. Contudo, indiferente à rapidez alheia, ela abraça a sua natureza, segue despreocupada e eventualmente chega onde seu instinto a programou para chegar.

De modo análogo ao que ocorre no mundo natural, no ecossistema do CACD, há quem passe mais rápido e quem passe mais devagar. Independemente da velocidade e do tamanho dos passos e das braçadas, ambos os tipos de cacdistas — se não desistirem no meio do caminho e se não forem predados por inimigos ocultos — passarão.

Infelizmente, nos bastidores do CACD, comparar-se com os pares é uma prática comum. E deletéria, porque gera dor e ansiedade. Com isso em mente, anote aí em letras garrafais:

Para saber se está evoluindo nos estudos do CACD, você é o único e melhor parâmetro comparativo. Pense assim: como eu estava quando comecei a estudar e como estou agora? No que posso melhorar e como farei isso? A tudo isso junto, aliás, chamamos de planejamento estratégico.

Não importam os outros. Não importa quem vai passar primeiro. Ou que outros já passaram, e que você ainda não passou. Importa, somente, que você continue se preparando e evoluindo. E que, ao olhar para trás e ao redor, consiga enxergar, em perspectiva, o quanto já avançou. Importa que você encare o tempo como um aliado na preparação para o CACD, não como um inimigo. Pode ser que, em termos práticos, um maior número de anos de preparação signifique mais maturidade para lidar com os assuntos densos da diplomacia, quando você já estiver exercendo a profissão.

De volta à pergunta que originou esse artigo:

O que é slow CACD?

É o movimento de priorizar a qualidade do seu aprendizado, estudando para o concurso da diplomacia no seu ritmo, cuidando do corpo e da mente e usando apenas a sua própria evolução nos estudos como parâmetro comparativo.

Em 2019, eu, Pupila do Barão, criei o movimento Slow CACD para lembrar a você que a aprovação no CACD é um projeto de prazo aberto, que pode, inclusive, demorar muito mais do que gostaríamos. Mas não tem problema: quem se alinha com o Slow CACD, sabe que, se continuar se dedicando, cedo ou tarde, tende a alcançar o seu lugar na Casa do Barão do Rio Branco.

Por que adotar a perspectiva do slow CACD faz bem à saúde?

Porque você precisa chegar vivo ao Itamaraty, cacdista! Porque a sua mente e o seu corpo fazem parte do seu projeto de aprovação no CACD. E se eles estiverem em descompasso, você adoece e acaba desistindo do seu sonho de ser diplomata.

Já que você é um todo e sabe que o CACD vai mexer com o seu equilíbrio, cuide-se com carinho, enquanto se prepara para ser diplomata. E cuide-se depois de passar também, porque o quantitativo de diplomatas com problemas de saúde mental é expressivo.

Como estudar para o CACD em modo slow?

Considere seriamente:

— ter uma rotina sustentável de estudos

— priorizar a qualidade do seu avanço nos estudos

— fazer exercícios físicos, e, quem sabe, meditar

— alimentar-se de modo saudável

— dormir o suficiente

— ter o mínimo de vida social

— permitir-se distanciar-se do CACD por períodos curtos

— pedir ajuda sempre que precisar e não sentir vergonha disso (crie uma rede de apoio e busque especialistas em saúde mental)

O que CACDistas podem aprender com a tartaruga?

— blindagem contra predadores e intempéries (O CACD e a mente são predadores; não deixe que eles virem você de barriga pro ar, ou já era!)

— força

— constância

— ritmo

— capacidade de adaptação

— respiração adaptativa

— resiliência

— persistência

— resistência a jornadas longas

— programação interna que a mantém na rota

Espero que o artigo de hoje sirva como inspiração nos dias tempestuosos da sua preparação ao Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD). Aliás, se desejar conversar sobre o CACD e a diplomacia, apenas preencha o formulário de contato, que eu terei prazem em responder, OK?

Bons estudos e sucesso na sua caminhada até o Itamaraty!

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De elefantes, circos e CACDistas https://pupiladobarao.com.br/2021/11/11/de-elefantes-circos-e-cacdistas/ https://pupiladobarao.com.br/2021/11/11/de-elefantes-circos-e-cacdistas/#comments Thu, 11 Nov 2021 17:15:12 +0000 https://pupiladobarao.com.br/?p=10909 Existe interseção entre elefantes, circos e CACDistas? A seguir, um texto auspicioso para quem questiona sua capacidade de realizar grandes objetivos.

*

Cuando yo era chico, me encantaban los circos, y lo que más me gustaba de los circos eran los animales. También a mí como a otros, después me enteré, me llamaba la atención el elefante. Durante la función, la enorme bestia hacía despliegue de su peso, tamaño y fuerza descomunal... pero después de su actuación y hasta un rato antes de volver al escenario, el elefante quedaba sujeto solamente por una cadena que aprisionaba una de sus patas a una pequeña estaca clavada en el suelo.

Sin embargo, la estaca era sólo un minúsculo pedazo de madera apenas enterrado unos centímetros en la tierra. Y aunque la cadena era gruesa y poderosa me parecía obvio que ese animal capaz de arrancar un árbol de cuajo con su propia fuerza, podría, con facilidad, arrancar la estaca y huir.

El misterio es evidente:

¿Qué lo mantiene entonces? ¿Por qué no huye?

Cuando tenía cinco o seis años, yo todavía confiaba en la sabiduría de los grandes. Pregunté entonces a algún maestro, a algún padre, o a algún tío por el misterio del elefante. Alguno de ellos me explicó que el elefante no se escapaba porque estaba amaestrado.

Hice entonces la pregunta obvia:

― Si está amaestrado, ¿por qué lo encadenan?

No recuerdo haber recibido ninguna respuesta coherente.

Con el tiempo me olvidé del misterio del elefante y la estaca... y sólo lo recordaba cuando me encontraba con otros que también se habían hecho la misma pregunta.

Hace algunos años descubrí que por suerte para mí alguien había sido lo bastante sabio como para encontrar la respuesta:

El elefante del circo no escapa porque ha estado atado a una estaca parecida desde que era muy, muy pequeño.

Cerré los ojos y me imaginé al pequeño recién nacido sujeto a la estaca.

Estoy seguro de que en aquel momento el elefantito empujó, tiró y sudó tratando de soltarse. Y a pesar de todo su esfuerzo, no pudo.

La estaca era ciertamente muy fuerte para él.

Juraría que se durmió agotado y que al día siguiente volvió a probar, y también al otro y al que le seguía...

Hasta que un día, un terrible día para su historia, el animal aceptó su impotencia y se resignó a su destino.

Este elefante enorme y poderoso, que vemos en el circo, no escapa porque cree — pobre — que NO PUEDE.

Él tiene registro y recuerdo de su impotencia, de aquella impotencia que sintió poco después de nacer.

Y lo peor es que jamás se ha vuelto a cuestionar seriamente ese registro.

Jamás... jamás... intentó poner a prueba su fuerza otra vez...

Y así és, Demián. Todos somos un poco como ese elefante del circo: vamos por el mundo atados a cientos de estacas que nos restan libertad. (...) condicionados por el recuerdo de «no puedo».

Tu única manera de saber es intentar de nuevo poniendo en el intento todo tu corazón...

TODO TU CORAZÓN.

(El elefante encadenado. Adaptación de trecho de la obra Recuentos para Demián, de Jorge Bucay, 1994).

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Photo by Joaquín Rivero on Unsplash

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Estude para as fases do CACD simultaneamente https://pupiladobarao.com.br/2021/09/16/estude-para-as-fases-do-cacd-simultaneamente/ https://pupiladobarao.com.br/2021/09/16/estude-para-as-fases-do-cacd-simultaneamente/#comments Thu, 16 Sep 2021 19:57:39 +0000 https://pupiladobarao.com.br/?p=10894 Ler, escrever, resumir, traduzir e verter. São “somente” essas as habilidades que você precisa dominar para vencer o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata, o CACD. Elas poderiam ser agrupadas, para fins didáticos, em três categorias — leitura, resumo e escrita. Dito assim parece simples. Entretanto, quem estuda para o concurso sabe que harmonizar essas demandas é uma tarefa intrincada e nada trivial, já que cada fase do CACD tem suas peculiaridades: uma etapa objetiva, que avalia a proficiência em leitura e em interpretação de textos, e duas etapas discursivas, que avaliam a qualidade da produção textual e a capacidade de síntese em quatro idiomas. Note que a fase objetiva tem um peso relativo menor em comparação às etapas que premiam necessariamente a proficiência escrita do candidato. Quer ter chances concretas de aprovação? Estude para as fases do CACD simultaneamente.

Um (mau) hábito clássico entre CACDistas é supervalorizar o treinamento para a fase objetiva do concurso, um fenômeno que o diplomata Marcílio Falcão, criador do Grupo Ubique, chama de “têpêessismo”. Como a meta é “passar no TPS”, a estratégia consiste em assistir a videoaulas, em detrimento do estudo da bibliografia, e em deixar a escrita “pra depois”. De fato, a primeira fase é incontornável: sem vencê-la, ninguém poderá mostrar à banca a excelência argumentativa, que define, em última instância, a aprovação. Por outro lado, limitar-se ao estudo das objetivas é insuficiente para passar no CACD. Portanto, há que se estudar para as provas de modo coordenado e simultâneo, ao longo de toda a preparação.

CACDistas que privilegiam o input costumam passar nas fases objetivas, às vezes com notas altas, ano após ano, mas não “emplacam” nas discursivas, porque a escrita ficou em segundo plano. Geralmente, quando começam a treiná-la com afinco, os resultados tendem a aparecer algumas edições depois. Donde se conclui que a escrita tem um papel primordial e insubstituível na preparação estratégica de qualquer CACDista. Não basta acumular conteúdo; é necessário transformá-lo ativamente em textos irretocáveis aos olhos da banca.

Assim, procure construir uma rotina de estudos que abranja as diferentes habilidades cobradas no conjunto das provas, pois a preparação faz mais sentido quando contempla as tarefas de ler, escrever, resumir, traduzir e verter concomitantemente. E os estudos, evidentemente, precisam estar alinhados com tal propósito. Para isso, a estratégia é:

— colocar as leituras como prioridade;

— usar as videoaulas apenas como complemento;

— criar excelente resumos, que serão seu material de revisão;

— revisar frequentemente os assuntos;

— escrever todos os dias sobre o que leu.

E a resolução de questões, não entra na equação? Esse tema será abordado oportunamente. Por ora, lembre-se: CACDistas que fazem da escrita um hábito regular apresentam menos dificuldade nas etapas discursivas, que são o diferencial na aprovação.

E você, já escreveu bastante hoje?

Bons estudos.

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Foto: Sigmund on Unsplash

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