{"id":2413,"date":"2020-04-09T17:58:15","date_gmt":"2020-04-09T17:58:15","guid":{"rendered":"https:\/\/pupiladobarao.com.br\/?p=2413"},"modified":"2020-04-09T18:06:41","modified_gmt":"2020-04-09T18:06:41","slug":"as-dores-e-duvidas-dos-ceacedistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pupiladobarao.com.br\/?p=2413","title":{"rendered":"As dores e d\u00favidas dos ceacedistas"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o sei se voc\u00eas j\u00e1 fizeram aula em uma turma virtual, mas os rituais se parecem muito com os de uma sala f\u00edsica. O professor \u00e9 quase sempre o primeiro a chegar e vai recebendo os alunos, conversando, perguntando como andam os estudos, querendo conhecer melhor os seus pupilos e entender melhor as suas dificuldades.<\/p>\n<p>Os alunos v\u00e3o entrando na sala e se inserindo na conversa que j\u00e1 havia come\u00e7ado. \u00c0s vezes, a conversa fica t\u00e3o interessante que acaba se tornando parte da aula ou at\u00e9 mesmo uma aula completa. E foi isso que aconteceu em uma das nossas aulas, quando come\u00e7amos a falar das dores e das d\u00favidas dos ceacedistas. Caso voc\u00ea tenha estranhado esse nome, os ceacedistas s\u00e3o aqueles que estudam para se tornar diplomata, para passar no concurso do Itamaraty, chamado de CACD, Concurso de Admiss\u00e3o \u00e0 Carreira de Diplomata.<\/p>\n<p>Bem, a conversa come\u00e7ou quando um aluno, que vou chamar de Jo\u00e3o, me perguntou por onde iniciar os estudos de franc\u00eas:&nbsp;<\/p>\n<p>\u2014 Jo\u00e3o, mas voc\u00ea j\u00e1 come\u00e7ou os seus estudos, j\u00e1 est\u00e1 fazendo as aulas comigo e com os seus colegas. N\u00e3o existe exatamente uma regra sobre como come\u00e7ar. Alguns come\u00e7am sozinhos, estudando gram\u00e1tica, outros se sentem mais seguros em um curso regular e cada um vai criando o seu caminho.<\/p>\n<p>\u2014 Mas n\u00e3o existe uma forma ideal, professor?<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 claro que eu tenho uma opini\u00e3o sobre o que seria o ideal: come\u00e7ar um curso com foco no CACD desde as primeiras aulas, desenvolver um vocabul\u00e1rio b\u00e1sico e aprender as primeiras no\u00e7\u00f5es de gram\u00e1tica. Esse processo inicial n\u00e3o deve ser muito longo, porque seria perda de tempo. &#8211; fiz uma pausa para pensar um pouco e finalizei o mon\u00f3logo com mais algumas palavras &#8211; Mas saiba que o estudo permite v\u00e1rios recome\u00e7os. N\u00e3o \u00e9 algo fixo, voc\u00ea pode mudar se perceber que n\u00e3o est\u00e1 mais funcionando para voc\u00ea.<\/p>\n<p>Nesse momento, entrou Maria, uma aluna que j\u00e1 tinha estudado comigo h\u00e1 algum tempo e que, inclusive, se tornou diplomata no in\u00edcio deste ano. Jo\u00e3o ainda n\u00e3o estava muito satisfeito com a resposta e tentou fazer a mesma pergunta de forma diferente:&nbsp;<\/p>\n<p>\u2014 Como eu encaixo os estudos de franc\u00eas na rotina?<\/p>\n<p>\u2014 Eu n\u00e3o diria \u201cencaixar\u201d. Na verdade, o estudo de idiomas deve fazer parte da sua rotina. Meu marido \u00e9 estat\u00edstico e sempre diz que os idiomas s\u00e3o as disciplinas que fazem a diferen\u00e7a na aprova\u00e7\u00e3o do candidato. &#8211; respondeu Maria, com toda a calma de delicadeza do mundo.<\/p>\n<p>Nesse meio tempo, um terceiro aluno j\u00e1 tinha entrado na sala e acabou se empolgando com a conversa. Ele aproveitou a chance e perguntou como ele poderia melhorar o vocabul\u00e1rio. Aquela conversa para mim era o m\u00e1ximo dos m\u00e1ximos, tudo o que um professor de idiomas gostaria de ouvir dos alunos: como eles estudam, como eles enxergam o idioma, etc. Vamos chamar esse aluno de Jos\u00e9 ou, mais carinhosamente, Z\u00e9.&nbsp;<\/p>\n<p>\u2014 Ent\u00e3o, professor, como fa\u00e7o para melhorar meu vocabul\u00e1rio?<\/p>\n<p>\u2014 Eu tenho a minha pr\u00f3pria forma de estudar e acredito que voc\u00ea tamb\u00e9m tenha a sua. Vamos ver se mais algu\u00e9m faz diferente? &#8211; perguntei ao grupo, para estimular ainda mais a conversa.<\/p>\n<p>\u2014 Eu uso flashcards &#8211; respondeu Jo\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 J\u00e1 eu, gosto de traduzir textos &#8211; revelou Maria.<\/p>\n<p>\u2014 E eu prefiro ler bastante. N\u00e3o anoto muita coisa, s\u00f3 as palavras que quero usar um dia &#8211; contou Z\u00e9.<\/p>\n<p>\u2014 Viu, Z\u00e9? Voc\u00ea mesmo respondeu a sua pergunta. O que interessa \u00e9 fazer o que funciona melhor para voc\u00ea. Cada um estuda do seu jeito. Pra mim, a leitura atenta traz enormes benef\u00edcios. E o que \u00e9 isso? \u00c9 ler um texto com aten\u00e7\u00e3o aos detalhes, buscando vocabul\u00e1rio desconhecido e anotando as estruturas que gostaria de utilizar em meus pr\u00f3prios textos. Organizo tudo em um caderno (f\u00edsico e virtual) e transformo algumas palavras e estruturas em flashcards. Essa \u00e9 a forma com a qual me sinto confort\u00e1vel para aprender e cada um deve desenvolver a sua. &#8211; respondi, com mais um pequeno mon\u00f3logo.<\/p>\n<p>Veja s\u00f3&#8230; Jo\u00e3o, Maria e Jos\u00e9 estavam ali, compartilhando o mesmo espa\u00e7o virtual, mas moravam em lugares diferentes do Brasil, tinham come\u00e7ado o franc\u00eas de forma diferente, usavam t\u00e9cnicas diferentes para aprender mais vocabul\u00e1rio e estavam os tr\u00eas evoluindo e escrevendo melhor em franc\u00eas. Estava achando tudo aquilo incr\u00edvel.<\/p>\n<p>Joaquina, a quarta aluna que participou da aula, entrou na sala pensando que estava atrasada, que tinha perdido conte\u00fado de gram\u00e1tica e ficou meio perdida por alguns minutos. Quando viu que a gente ainda estava conversando, desabafou:&nbsp;<\/p>\n<p>\u2014 Eu conhe\u00e7o bem a gram\u00e1tica do franc\u00eas e tenho um bom vocabul\u00e1rio. Meu grande problema \u00e9 escrever. E o pior \u00e9 que estou enfrentando isso em ingl\u00eas tamb\u00e9m, estou com essa mesma dificuldade. Como fa\u00e7o para escrever melhor um texto?<\/p>\n<p>\u2014 Nesse caso, h\u00e1 2 n\u00edveis de dificuldades &#8211; me adiantei para responder &#8211; O primeiro n\u00edvel de dificuldade \u00e9 relativo \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o das ideias, \u00e9 preciso saber, desde o in\u00edcio, o que voc\u00ea deseja escrever e qual resultado voc\u00ea quer alcan\u00e7ar. Organize o texto em introdu\u00e7\u00e3o, desenvolvimento e conclus\u00e3o, elenque os argumentos que voc\u00ea vai utilizar e verifique se essa organiza\u00e7\u00e3o corresponde ao seu objetivo.&nbsp;<\/p>\n<p>\u2014 Certo, professor, estou anotando &#8211; disse Joaquina.&nbsp;<\/p>\n<p>\u2014 Depois de organizar as ideias, \u00e9 hora de organizar os par\u00e1grafos. Em que ordem eles devem aparecer? Qual ser\u00e1 a liga\u00e7\u00e3o entre eles? Como eles levar\u00e3o o leitor da introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 conclus\u00e3o? Depois dos par\u00e1grafos, \u00e9 fundamental pensar na frase. Antes de escrever, pense em qual ser\u00e1 o seu esqueleto, quais ser\u00e3o os tr\u00eas elementos essenciais: o sujeito, o verbo e o objeto. A ordem SVO \u00e9 imprescind\u00edvel. A maioria das frases dever\u00e1 segui-la.<\/p>\n<p>\u2014 E o segundo n\u00edvel de dificuldade, professor? &#8211; perguntou Maria, que estava bem atenta \u00e0 conversa.<\/p>\n<p>\u2014 O segundo \u00e9 n\u00e3o conseguir transferir o que foi aprendido na leitura ou no livro de gram\u00e1tica para a escrita. Nosso vocabul\u00e1rio passivo sempre ser\u00e1 maior que nosso vocabul\u00e1rio ativo, mas \u00e9 preciso ir al\u00e9m da leitura e come\u00e7ar a utilizar o que foi aprendido em nossos textos. O problema da gram\u00e1tica tamb\u00e9m \u00e9 uma quest\u00e3o de transfer\u00eancia: o aluno faz os exerc\u00edcios exaustivamente e, quando vai escrever do zero, n\u00e3o consegue aplicar o que foi estudado na escrita ou ainda continua errando t\u00f3picos b\u00e1sicos. A solu\u00e7\u00e3o nesse caso \u00e9 relaxar e aumentar a aten\u00e7\u00e3o na hora de escrever. Relaxar para desfazer o bloqueio, para que o foi estudado possa aparecer na hora certa. Aumentar a aten\u00e7\u00e3o para n\u00e3o cometer sempre os mesmos erros, fazer um checklist dos erros mais comuns.<\/p>\n<p>Enquanto eu falava, ficaram todos t\u00e3o silenciosos que, quando acabei, perguntei se estavam entendendo e porque estavam t\u00e3o calados. \u201cEstamos anotando tudo, professor.\u201d Percebi que era uma li\u00e7\u00e3o importante para eles e que, muito provavelmente, nunca tinham conversado sobre isso com ningu\u00e9m. E essas ideias que apresentei servem para qualquer idioma.<\/p>\n<p>Bem\u2026 Dei um tempo para eles anotarem tudo e, quando finalmente ia entrar no assunto que tinha planejado, Joaquina fez uma nova pergunta:&nbsp;<\/p>\n<p>\u2014 E como saber que estou evoluindo, professor? Eu fico angustiada com isso. Estudo todos os dias, mas n\u00e3o sei se estou no caminho certo.<\/p>\n<p>Disse que era uma pergunta muito dif\u00edcil, mas que havia duas formas de avaliar essa evolu\u00e7\u00e3o: uma subjetiva e outra objetiva. A primeira \u00e9 sobre o conforto que voc\u00ea experimenta com o idioma. Quando voc\u00ea l\u00ea, voc\u00ea se sente bem ou acha que nunca vai entender nada? Quando voc\u00ea escreve, voc\u00ea sente que est\u00e1 levando menos tempo e que a escrita est\u00e1 fluindo melhor? Voc\u00ea est\u00e1 se sentindo mais segura para arriscar na escrita ou lendo textos mais dif\u00edceis? Tudo isso \u00e9 muito subjetivo e s\u00f3 voc\u00ea poder\u00e1 avaliar a sua evolu\u00e7\u00e3o. O segundo crit\u00e9rio \u00e9 mais f\u00e1cil: seu n\u00famero de erros est\u00e1 diminuindo? Aquele erro recorrente est\u00e1 desaparecendo? Voc\u00ea compreende melhor a gram\u00e1tica e consegue usar sin\u00f4nimos com facilidade?<\/p>\n<p>Eu sei que \u00e9 angustiante n\u00e3o saber se est\u00e1 evoluindo, n\u00e3o sentir essa evolu\u00e7\u00e3o, mas o segredo \u00e9 estudar regularmente (gram\u00e1tica, vocabul\u00e1rio\u2026) e tentar escrever sempre. \u00c9 s\u00f3 na hora de escrever que voc\u00ea conseguir\u00e1 identificar suas dificuldades. Al\u00e9m disso, \u00e9 preciso se conhecer bem para saber o que funciona e o que n\u00e3o funciona em seus estudos, para n\u00e3o insistir em t\u00e9cnicas in\u00fateis. Como disse o fil\u00f3sofo S\u00f3crates, \u0393\u03bd\u1ff6\u03b8\u03b9 \u03c3\u03b5\u03b1\u03c5\u03c4\u03cc\u03bd \u201cconhece-te a ti mesmo\u201d. S\u00f3 assim voc\u00ea poder\u00e1 evoluir.<\/p>\n<p>Depois de muita conversa, o tempo da nossa aula acabou e os alunos nem perceberam. Aulas assim nos fazem muito bem e nos oferecem muito material para pensar e repensar.&nbsp;<\/p>\n<p>Fiquei muito feliz com o resultado de nosso bate-papo. Espero que tamb\u00e9m tenha gostado e que essa pequena hist\u00f3ria tenha ajudado voc\u00ea de alguma forma com as suas d\u00favidas e com as suas ang\u00fastias de ceacedista. O que mais voc\u00ea gostaria de me perguntar? Que d\u00favida teria sobre o estudo de idiomas para o CACD? Pode usar o campo de coment\u00e1rios abaixo:<\/p>\n<p>*<\/p>\n<p>Este artigo foi escrito pelo Professor Igor Barca a partir destes v\u00eddeos:<\/p>\n<p>(parte 1)<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"As dores dos ceacedistas - Parte 1 | Estude Idiomas\" width=\"1080\" height=\"608\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/XLzkWIejowE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>(parte 2)<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"As dores dos ceacedistas - Parte 2 | Estude Idiomas\" width=\"1080\" height=\"608\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/8OwYUZpEuNQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o sei se voc\u00eas j\u00e1 fizeram aula em uma turma virtual, mas os rituais se parecem muito com os de uma sala f\u00edsica. O professor \u00e9 quase sempre o primeiro a chegar e vai recebendo os alunos, conversando, perguntando como andam os estudos, querendo conhecer melhor os seus pupilos e entender melhor as suas dificuldades. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2417,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[242,203],"tags":[204,210,234,233,207,206,245,244,243,246,236],"class_list":["post-2413","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-a-voz-do-especialista-igor-barca","category-cacd-idiomas","tag-cacd","tag-cacdista","tag-ceacedista","tag-concurso-diplomata","tag-diplomacia","tag-diplomata","tag-estude-idiomas","tag-frances","tag-idiomas-cacd","tag-igor-barca","tag-pupila-do-barao-cacd"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pupiladobarao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2413","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pupiladobarao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pupiladobarao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pupiladobarao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pupiladobarao.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2413"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/pupiladobarao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2413\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2422,"href":"https:\/\/pupiladobarao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2413\/revisions\/2422"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pupiladobarao.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2417"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pupiladobarao.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2413"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pupiladobarao.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2413"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pupiladobarao.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2413"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}