Algumas das dúvidas mais comuns entre aspirantes a diplomata envolvem o domínio de línguas estrangeiras no cotidiano da profissão. Dentre elas, pode-se listar cinco perguntas clássicas e muito pertinentes:
— Preciso ser fluente nos idiomas estrangeiros do CACD?
— Como estudar os idiomas do CACD do zero?
— É possível passar no CACD sem dominar os idiomas estrangeiros?
— Quanto tempo leva para eu aprender os idiomas do CACD?
— Quantas línguas preciso saber para ser diplomata?
Hoje, responderemos apenas à última dessas questões que assolam CACDistas iniciantes. Continue lendo.
A diplomacia brasileira é reconhecidamente uma das mais capacitadas do mundo, porque o IRBr tem a tradição secular de formar diplomatas altamente competentes para se comunicar, em diferentes contextos de atuação, nos idiomas da ONU, a saber: inglês, mandarim, espanhol, francês, árabe e russo.
Os diplomatas brasileiros aprendem, pelo menos, quatro desses seis idiomas estrangeiros: três, por exigência do CACD; e um por exigência do Curso de Formação de Diplomatas (CFD) no Instituto Rio Branco (IRBr). Mas, afinal,
quantas línguas preciso saber para ser diplomata?
Para ser diplomata, você precisará, antes, passar no CACD e, para isso, deverá dominar as seguintes línguas:
Em primeiro lugar, domine a língua de Machado de Assis, Euclides da Cunha, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos Clarice Lispector e Cecília Meireles
Todo diplomata deve ser (mais do que) proficiente em sua língua pátria: o português. Os candidatos aprovados no concurso da diplomacia apresentam a habilidade de escrever textos longos em português praticamente indefectível, isto é, sem erros gramaticais e seguindo uma linha impecável de raciocínio lógico. Além disso, devem ser capazes de fazer excelentes resumos e de interpretar textos complexos com precisão.
Em segundo lugar, domine a língua d’O Bardo
O inglês é o segundo idioma mais importante do CACD e o mais usado pelo diplomata brasileiro no exterior. No dia a dia do diplomata brasileiro, o inglês é até mais importante do que o português, porque serve como língua franca, isto é, como a língua do mundo dos negócios, aquela que as pessoas falam em muitos outros lugares do planeta.
Assim, por exemplo, suponha que um diplomata brasileiro vá servir na Turquia, mas não domine o idioma turco. Se ele falar inglês, poderá se comunicar perfeitamente com os diplomatas e autoridades locais no idioma.
Em terceiro lugar, domine a língua de Cervantes
O terceiro idioma que, desejavelmente, o diplomata deverá dominar é o espanhol. Isso porque, com o estreitamento dos laços entre os países da América Latina por meio do Mercosul, o idioma ganha relevância ainda maior para a atuação do diplomata brasileiro. Além disso, quando for servir em algum posto no exterior em que a língua espanhola seja o idioma local, o diplomata do Brasil se beneficiará do domínio pleno do idioma.
Em quarto lugar, domine a língua de Victor Hugo
Por fim, o diplomata brasileiro também se beneficia do conhecimento da língua francesa, já que esta é considerada, por excelência, a língua da diplomacia. No CACD, até o ano de 2023, cobrava-se francês junto com espanhol, cada qual valendo 50 pontos. As notas em francês costumavam sempre ser mais baixas, dada a complexidade estrutural que a língua apresenta. De 2024 para cá, o candidato a diplomata passou a poder optar entre o espanhol e o francês.
Considerações relevantes sobre o domínio dos idiomas para quem vai fazer o CACD
- O nível de exigência das provas de idiomas é elevado, equivalente ao C2 (avançado ou proficiente).
- As provas de línguas do CACD (incluindo a de língua portuguesa) são defensivas, isto é, você deve evitar cometer erros de gramática e de “propriedade da linguagem” para não perder pontos. São provas em que você começa com a pontuação cheia e vai sendo descontado conforme comete erros. Vale a pena prestar muita atenção nisso.
- As atuais provas de idiomas do CACD não avaliam a oralidade do candidato, isto é, você não passará por uma entrevista oral com a banca avaliadora. Por isso, não importa o quanto seja fluente em qualquer uma das línguas estrangeiras avaliadas no concurso, não ganhará pontos pelo domínio oral, mas pelo domínio escrito do idioma, de acordo com a norma padrão de cada uma dessas línguas. Leve isso em consideração na hora de estudar para colocar o foco na produção textual em língua estrangeira e na interpretação de textos. Contudo, a oralidade não pode ser completamente suprimida da sua preparação para o CACD, pois ela ainda é essencial, por exemplo, para o aprendizado adequado da língua francesa.
- Os idiomas entram no seu planejamento de estudos desde o primeiro dia e não saem nem depois que você passar no CACD, já que, até no IRBr você terá que continuar estudando todos eles, só que, agora, com ênfase na oralidade que o CACD não cobrou de você diretamente.
Conclusão
Obrigatoriamente, para passar no CACD, você deverá dominar português, inglês, espanhol e francês. Veja que a palavra “dominar” está destacada, pois, de fato, o nível de exigência do concurso é o da proficiência (nível C1-C2). Depois de aprovado, já no Instituto Rio Branco, terá de escolher um outro idioma estrangeiro para estudar, que poderá ser o russo, o árabe ou o mandarim. Porém, no dia a dia da profissão, as línguas que você mais utilizará serão o português e o inglês, a menos que você esteja em postos em que o espanhol e o francês são línguas locais obrigatórias.
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Foto: Harrison Moore no Unsplash
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